Vários comunicadores de ciência a trabalhar em gabinetes de comunicação de organizações portuguesas de investigação científica juntaram-se no dia 8 de abril de 2011 para discutir as dificuldades e necessidades do setor. Algumas delas permanecem desafios atuais.

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Crédito imagem: Crédito: Frans van Heerden/Pexel

“Comunicar incerteza nos media.” Podia ser uma frase retirada de qualquer debate sobre a comunicação durante a pandemia de Covid-19, mas, neste caso específico, foi escrita num post-it há já 10 anos. Ler todas as ideias deixadas nesse e noutros pedaços de papel dessa data, faz pensar que a comunicação de ciência em Portugal, e a relação entre os intervenientes, evoluiu muito, mas ainda tem um longo caminho pela frente.

Na altura, como agora, os profissionais dos gabinetes de comunicação procuravam estratégias para melhorar a comunicação com cientistas e jornalistas, formas de ter mais e melhor ciência nos jornais e instrumentos que lhes permitissem melhorar o seu trabalho, individualmente ou em parceria.

Nos post-its deixaram-se alguns pedidos concretos: a organização de um encontro para partilha de boas práticas, a criação de uma plataforma que incentivasse o trabalho colaborativo, a produção de ações de formação para os vários agentes da comunicação de ciência e, ainda, uma newsletter sobre o que é feito em Portugal. Os cerca de 70 participantes foram divididos em três grupos de discussão, dos quais resultaram algumas conclusões: Media, Online e Públicos.

Qualquer semelhança com os objetivos e atividades desenvolvidas pela Rede SciComPt não é pura coincidência. O Workshop SciCom Portugal, realizado no dia 8 de abril de 2011 no Pavilhão do Conhecimento, em Lisboa, ainda que tivesse sido mais direcionado para comunicadores de ciência a trabalhar nos gabinetes de comunicação das referidas organizações, lançou a base para os encontros que se passaram a fazer anualmente a partir de 2013 — o Congresso SciComPt. Encontros esses que são agora abertos a todos os que se interessam por comunicação de ciência: dos professores aos cientistas, dos assessores aos jornalistas, passando por todos os monitores e comunicadores que têm a ciência como tema de trabalho.

Os pontos de contacto entre eventos não são de estranhar, os promotores e dinamizadores do workshop de 2011 estiveram envolvidos na organização do congresso de 2013 e já antes disso tinham criado o grupo “SciCom Portugal” no Facebook. Reunir pessoas que trabalham na mesma área, pô-las a debater ideias, fomentar parcerias — no fundo, criar uma rede — foi o combustível que pôs estas iniciativas em movimento. E é o mesmo combustível que mantém a Rede SciComPt viva e a funcionar.

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Imagem do Congressso SciComPt 2013 no Pavilhão do Conhecimento