joana cara
Joana Lobo Antunes
Comunicadora de Ciência, Instituto Superior Técnico e Faculdade de Ciências Sociais e Humanas

A comunicação da ciência pode ser resumida como atividades, iniciativas e estudos sobre a forma como levamos a ciência a públicos não especialistas na matéria. É uma área de trabalho crescente em Portugal e no Mundo, que é essencial para informar a sociedade, mas também para contribuir para uma educação reflexiva e científica, levando à construção da cultura científica.

Em maio de 2013 organizámos o primeiro congresso de Comunicação de Ciência em Portugal, criando um espaço para conhecer quem trabalhava na área e a que atividades se dedicava. Até à data havia apenas alguns grupos locais, essencialmente em Lisboa, e o conhecimento de colegas em congressos internacionais. Por isso, não sabíamos na verdade quantas pessoas poderiam aparecer para apresentar os seus trabalhos e conhecer os dos colegas, mas tínhamos estimado em cerca de 100. Inscreveram-se mais de 200, e esse tornou-se o início de um percurso que terá este ano a sua 10ª edição nos Açores.

Tem sido um prazer e um privilégio acompanhar a comunidade da comunicação da ciência em Portugal através dos trabalhos apresentados e das pessoas que se têm juntado ao longo destes 10 anos. Retiro duas reflexões principais e deixo dois caminhos para o futuro.

Tem sido curioso verificar que a maioria das atividades que existem têm sido essencialmente educativas, na criação de uma cultura científica através da educação formal ou na captação de talentos para carreiras científicas através de um maior conhecimento das áreas disponíveis. Outra constatação é o envolvimento tanto de museus e centros de ciência, como de centros de investigação, faculdades e universidades, que têm investido em gabinetes de comunicação dedicados a aproximarem a ciência que produzem da sociedade em geral e de alguns públicos em particular. Notamos claramente o investimento crescente dos últimos 25 anos, cujos resultados já se fazem sentir pelas respostas ao Eurobarómetro 2021, inquérito que mediu os conhecimentos científicos dos cidadãos da Europa bem como as suas atitudes e opiniões sobre ciência e tecnologia. As pessoas querem ouvir falar cientistas, que sejam os protagonistas a serem capazes de traduzir o conhecimento para grandes audiências. E isso abre caminho para o trabalho dos comunicadores como mediadores e criadores de oportunidades e plataformas para que investigadores possam ter canais de comunicação com as pessoas, e que consigam usar linguagem clara, acessível sem nunca perderem o rigor pelo qual são respeitados e reconhecidos.

Quanto aos caminhos para o futuro, parecem-me claros. É essencial que haja um pensamento estratégico para a comunicação de ciência, que permita garantir o financiamento para a continuidade e crescimento das atividades que ligam a ciência à sociedade. Seria interessante haver concursos que premiariam as propostas mais relevantes e impactantes, o que poderia aumentar os atores envolvidos e o alcance da promoção da ciência.

A comunicação da ciência pode ser resumida como atividades, iniciativas e estudos sobre a forma como levamos a ciência a públicos não especialistas na matéria. É uma área de trabalho crescente em Portugal e no Mundo, que é essencial para informar a sociedade, mas também para contribuir para uma educação reflexiva e científica, levando à construção da cultura científica.

Em maio de 2013 organizámos o primeiro congresso de Comunicação de Ciência em Portugal, criando um espaço para conhecer quem trabalhava na área e a que atividades se dedicava. Até à data havia apenas alguns grupos locais, essencialmente em Lisboa, e o conhecimento de colegas em congressos internacionais. Por isso, não sabíamos na verdade quantas pessoas poderiam aparecer para apresentar os seus trabalhos e conhecer os dos colegas, mas tínhamos estimado em cerca de 100. Inscreveram-se mais de 200, e esse tornou-se o início de um percurso que terá este ano a sua 10ª edição nos Açores.

Tem sido um prazer e um privilégio acompanhar a comunidade da comunicação da ciência em Portugal através dos trabalhos apresentados e das pessoas que se têm juntado ao longo destes 10 anos. Retiro duas reflexões principais e deixo dois caminhos para o futuro.

Tem sido curioso verificar que a maioria das atividades que existem têm sido essencialmente educativas, na criação de uma cultura científica através da educação formal ou na captação de talentos para carreiras científicas através de um maior conhecimento das áreas disponíveis. Outra constatação é o envolvimento tanto de museus e centros de ciência, como de centros de investigação, faculdades e universidades, que têm investido em gabinetes de comunicação dedicados a aproximarem a ciência que produzem da sociedade em geral e de alguns públicos em particular. Notamos claramente o investimento crescente dos últimos 25 anos, cujos resultados já se fazem sentir pelas respostas ao Eurobarómetro 2021, inquérito que mediu os conhecimentos científicos dos cidadãos da Europa bem como as suas atitudes e opiniões sobre ciência e tecnologia. As pessoas querem ouvir falar cientistas, que sejam os protagonistas a serem capazes de traduzir o conhecimento para grandes audiências. E isso abre caminho para o trabalho dos comunicadores como mediadores e criadores de oportunidades e plataformas para que investigadores possam ter canais de comunicação com as pessoas, e que consigam usar linguagem clara, acessível sem nunca perderem o rigor pelo qual são respeitados e reconhecidos.

Quanto aos caminhos para o futuro, parecem-me claros. É essencial que haja um pensamento estratégico para a comunicação de ciência, que permita garantir o financiamento para a continuidade e crescimento das atividades que ligam a ciência à sociedade. Seria interessante haver concursos que premiariam as propostas mais relevantes e impactantes, o que poderia aumentar os atores envolvidos e o alcance da promoção da ciência.

O outro não podia deixar de ser continuar a fazer os encontros da Rede de Comunicação de Ciência SciComPT. É indispensável que haja este espaço de interligação, partilha de conhecimento, convívio e aprendizagem, que permite à comunidade crescer, melhorar e continuar o trabalho.

*Artigo publicado originalmente no jornal Açoriano Oriental no dia 6 de abril de 2022