II Encontro Ibérico de Comunicação e Jornalismo de Ciência

II Encontro Ibérico de Comunicação e Jornalismo de Ciência

O que têm em comum e o que distingue os comunicadores de ciência de Portugal e de Espanha? Na Rede SciComPT e na Associação Espanhola de Comunicação Científica pensamos que é importante conhecer como é a realidade do nosso trabalho em ambos os lados da fronteira. Para isso, ambas as instituições organizam o II Encontro Ibérico – uma reunião de trabalho em que os colegas de diferentes áreas debatem sobre a profissão.

O II Encontro Ibérico realizar-se-á em Burgos no próximo dia 8 de outubro, aproveitando a celebração do VII Congresso de Comunicação Social da Ciência (CCSC). Recolhe a experiência do I Encontro Ibérico celebrado em Aveiro durante o VII Congresso SciComPT e, tal como aí, dará lugar a uma série de conclusões conjuntas (vide conclusões do I Encontro Ibérico) .

Apesar de ser um encontro de trabalho privado, as conclusões serão apresentadas ao público durante o primeiro dia do CCSC, na manhã de 9 de Outubro. 

Temas e participantes

Como evitar o público fã e o público cativo
Leonel Alegre, coordenador de Projectos, Universidade de Évora
Sara Varela Amaral, coordenadora do Gabinete de Comunicação, Centro de Neurociencias e Biología Celular, Universidade de Coimbra.
Pilar López García-Gallo, vice-directora de Comunicação e Cultura Científica do Museu Nacional de Ciências Naturais de Espanha
Leonor Parcero, presidente de Divulgacción – Associação Galega de Comunicação de Cultura Científica e Tecnológica

Fake news
Diana Barbosa, presidente da COMCEPT – Comunidade Céptica Portuguesa
David Marçal, redactor científico
Olga Fernández, jornalista freelance
Laura Chaparro, coordenadora de Maldita Ciencia

Divulgação de Tecnologia
Sílvia Castro, directora executiva do Programa CMU Portugal.
João Tomé, jornalista do Diário de Notícias
José Manuel Abad Liñán, jornalista especializado em ciência e tecnologia do El País
Javier Pedreira Wicho, fundador de Microsiervos e responsável de Informática dos Museos Científicos Coruñeses

A Rede SciComPT e a Asociación Española de Comunicación Científica promoveram o I Encontro Ibérico de Comunicação e Jornalismo de Ciência, no dia 29 de maio de 2019, em Aveiro, Portugal. 

No âmbito do tema do 7.º Congresso da Rede SciComPT – Comunicação de Ciência e Inclusão – o Encontro Ibérico integrará três grupos de trabalho com especialistas de Portugal e Espanha em diferentes áreas de actuação da comunicação e jornalismo de ciência. 

I. Jornalismo de Ciência 
II. Museus e Projectos Inclusivos 
III. Gabinetes de Comunicação e Unidades de Cultura Científica

As conclusões do Encontro foram apresentadas durante o 7.º Congresso da Rede SciComPT, de 30 a 31 de maio na Fábrica Centro Ciência Viva de Aveiro / Universidade de Aveiro. 


I. Jornalismo de Ciência | Periodismo de Ciencia 

  • Teresa Firmino  | Jornalista e Editora de Ciência | Jornal PÚBLICO
  • Vera Novais  | Jornalista | Observador 
  • Michele Catanzaro | Periodista freelance | El Periódico / Nature Group
  • Manuel Vicente | Director Efervesciencia | RTVG Rádio y Televisión de Galicia 

II. Museus e Projectos Inclusivos | Museos y Proyectos Inclusivos

  • Pedro Pombo | Director | FÁBRICA Centro Ciência Viva de Aveiro
  • Pedro Russo | Coordenador | Plataforma Ciência Aberta/ Universidade de Leiden
  • Marcos Pérez | Director | Museos Científicos Coruñeses
  • Javier Armentia | Director | Planetario de Pamplona 

III. Gabinetes de Comunicação e Unidades de Cultura Científica | Gabinetes de Comunicación y Unidades de Cultura Científica 

  • Joana Barros | Coordenadora | Associação Viver a Ciência 
  • Júlio Borlido Santos | Coomunication Unit Team Coordinator | i3S Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto
  • Elena Lázaro | Coordinadora Unidad de Cultura Científica Universidad de Córdoba / Coordinadora de Red Divulga-Crue
  • Vanessa Pombo | Comunicación Científica y Redes Sociales | Centro Nacional de Investigaciones Oncológicas, Madrid

Conclusões

I Encontro Ibérico Comunicação e Jornalismo de Ciência_ Versão PT_Conclusões (PDF)

Cada um dos grupos refletiu sobre os seus pontos fortes, debilidades e desafios para o futuro. As conclusões seguintes foram apresentadas ao 7.º Congresso da Rede SciComPT no dia 30 de maio de 2019, na Universidade de Aveiro.

I. Jornalismo de Ciência

Premissa
Se queremos que o jornalismo de ciência seja sustentável temos de fugir da informação redundante, superficial e enviesada, e apostar pela qualidade, os temas próprios, a priorização e a inovação.

Pontos Fortes
Há experiências de qualidade (bom jornalismo, jornalismo inovador, jornalismo narrativo) que podem servir de exemplo;
Não é verdade que os leitores não estejam interessados em ciência de qualidade.

Debilidades
Precariedade generalizada no trabalho, falta de tempo, poucos jornalistas especializados, escasso pagamento a freelancers, pouca valorização do trabalho dos jornalistas especializados por parte das direcções (o que agrava os problemas enumerados anteriormente);
Não conhecemos bem quem são os jornalistas de ciência e não conhecemos bem que é o nosso público.

Desafios
Procurar e conseguir os dados sobre quem são os jornalistas de ciência e quem é o nosso público;
Fomentar a cooperação entre os jornalistas especializados em ciência e de outras secções e a cooperação transfronteiriça;
Constatamos um atraso da comunicação institucional em Portugal, enquanto que em Espanha está mais avançada, embora apresente alguns problemas de excessiva vontade de controlar a mensagem. Pensamos que a experiência espanhola pode ser útil para o crescimento do sector em Portugal.
Portugal tem uma divisão muito clara entre jornalismo e comunicação institucional que poderia ser útil como modelo para Espanha;
Seria interessante estudar os modelos de negócio dos meios inovadores que são sustentáveis economicamente e ver se poderiam ser aplicáveis ao jornalismo de ciência;
É importante mobilizar fundações e organizações filantrópicas para que financiem de forma desinteressada o jornalismo de qualidade, através de bolsas, prémios ou outras formas de mecenato que não interfiram com o trabalho jornalístico.

II. Museus e Projetos Inclusivos

Ciência: Aberta à Sociedade
A Comunicação de Ciência é um motor para o desenvolvimento societal: através de processos inclusivos, colaborativos, envolvendo e capacitando comunidades para resolver os desafios locais, ligando a Ciência e Tecnologia a diferentes actores da sociedade para um desenvolvimento e bem-estar comum.
Em 2050 o público dos Museus e Programas Públicos de  Ciência na Península ibérica é representativo da sociedade ibéricas na sua diversidade cultural, social, económica, género, identidade sexual, deficiências,  etc.
Os Museus e programas desenvolvem os seus conteúdos e actividades de uma forma colaborativa e tendo em consideração inclusão e diversidade.
Inclusão: cultural, diversidade de género e identidade sexual, grupo sócio-económico, geográfica, deficiências/ diversidade funcional, idosos.

Pontos fortes
Museus são espaços de ócio / expectativas não muito altas;
Público tolerante com os conteúdos;
Conteúdos podem ser atualizados rapidamente;
São espaços para cientistas contarem histórias;
Estão muitas vezes aliados a centros de investigação;
São mais flexíveis do que Universidades / Centros quanto a formas de comunicação de ciência;
Estão mais próximos da sociedade e dos meios de comunicação;
Museus de Ciência (mais facilmente do que Museus de Arte) podem ter atividades nas comunidades.

Debilidades
Debilidades económicas e dificuldades de financiamento;
Renovação de conteúdos / programas;
Equipa (difícil renovação / tipo de contrato);
Carreiras profissionais na comunicação de ciência;
Falta de inovação social e de abordagens por parte dos museus.

Desafios
Aberto à comunidade: Como criar conteúdos e programas com comunidades?;
Financiamento (a questão de inclusão pode ajudar a financiar programa);
Potencial do tema da inclusão;
Encontrar e trabalhar com os contactos das comunidades;
Procurar intermediários;
Profissionais em comunicação com as  comunidades em questão (E.g.: Redes sociais e jovens);
Como ser inclusivo com movimentos que podem estar contra com princípios básicos de ética em ciência;
Co-criação com comunidades é importante (se não essencial) no desenvolvimento de projectos e comunidades;
Qual é a prioridade? Como escolher as causas sociais?;
Estudo dos públicos.

 

III. Gabinetes de Comunicação e Unidades de Cultura Científica

Na mesa de debate estiveram estruturas diferentes com modelos/missões diferentes: associação privada de promoção da ciência e da cultura científica; duas unidades de comunicação em institutos de investigação, cujas missões que incluem ou não promoção de cultura científica; um gabinete de cultura científica de uma universidade; uma rede de comunicação de ciência debaixo de um conselho de reitores/reitorias.

A maioria interage com media e social media com os seguintes objectivos:
i) reputação científica;
ii) difusão de conhecimento;
iii) branding;
iv) promoção da cultura científica.

Apesar de objectivos equivalentes, as mensagens são trabalhadas para serem adequadas às ferramentas (ex., tipo de social media; públicos que atingem). Outras ações para públicos específicos estão restritas a ações específicas, incluídas na responsabilidade social das instituições.

 

Pontos fortes
A profissionalização dos agentes envolvidos;
A valorização da comunicação de ciência (apontado em todas as alíneas), refletida na existência destas unidades e profissionais;
Liberdade nas formas de ação de envolvimento, linguagem, de ação;
Capacidade de inovação;
Acesso às fontes de produção de conhecimento científico.

Debilidades
Financiamento específico para a área, limitando o reforço (mesmo que temporário) de equipas e os recursos para a implementação/execução de projetos/ações específicas de qualidade;
Falta de estudos/dados que: permitam consolidar “boas práticas” exportáveis ou adaptáveis; caracterizar públicos nos contextos específicos, incluindo a segmentação de públicos locais/regionais, identificação de minorias ou públicos ainda não incluídos;
A valorização de comunicação de ciência, em resultado da falta de financiamento específico, a falta de reconhecimento da participação de investigadores na valorização da sua carreira; há evolução neste aspecto, demonstrado por documento espanhol referido na alínea seguinte.

Desafios
Impulsionar o da participação de investigadores na valorização da suas carreiras (ver documento “guía de valoración de la actividad de divulgación científica del personal académico e investigador” da Red Divulga);
Trabalhar em rede para partilha de “boas práticas”, ex. abordagens e metodologias adaptáveis e transferíveis para contextos próximos ou equivalentes;
Estudos de públicos e de representatividade, quer em atividades de comunicação de ciência, quer no ecossistema científico;
Em suma, o desafio é a inclusão.

I Encontro Ibérico de Comunicação e Jornalismo de Ciência (29 de maio de 2019)

Óscar Menéndez (director executivo AECC) e Joana Lobo Antunes (presidente Rede SciComPT)

Jornalismo de Ciência: Manuel Vicente, Vera Novais, Michele Catanzaro e Teresa Firmino (via skype)

Museus e Projectos Inclusivos (ao centro): Pedro Pombo, Javier Armentia, Marcos Pérez e Pedro Russo.

 

Gabinetes de Comunicação e Unidades de Cultura Científica: Vanessa Pombo, Júlio Borlido Santos, Elena Lázaro e Joana Barros.

Mesa-redonda no 7.º Congresso SciComPT 2019: Javier Armentia, Joana Lobo Antunes, Vera Novais e Júlio Borlido Santos.

Apresentação das conclusões ao 7.º Congresso da Rede SciComPT 2019 (Universidade de Aveiro)