A Rede SciComPT e a Asociación Española de Comunicación Científica promoveram o I Encontro Ibérico de Comunicação e Jornalismo de Ciência, no dia 29 de maio de 2019, em Aveiro, Portugal. 

No âmbito do tema do 7.º Congresso da Rede SciComPT – Comunicação de Ciência e Inclusão – o Encontro Ibérico integrará três grupos de trabalho com especialistas de Portugal e Espanha em diferentes áreas de actuação da comunicação e jornalismo de ciência. 

I. Jornalismo de Ciência 
II. Museus e Projectos Inclusivos 
III. Gabinetes de Comunicação e Unidades de Cultura Científica

As conclusões do Encontro foram apresentadas durante o 7.º Congresso da Rede SciComPT, de 30 a 31 de maio na Fábrica Centro Ciência Viva de Aveiro / Universidade de Aveiro. 


I. Jornalismo de Ciência | Periodismo de Ciencia 

  • Teresa Firmino  | Jornalista e Editora de Ciência | Jornal PÚBLICO
  • Vera Novais  | Jornalista | Observador 
  • Michele Catanzaro | Periodista freelance | El Periódico / Nature Group
  • Manuel Vicente | Director Efervesciencia | RTVG Rádio y Televisión de Galicia 

II. Museus e Projectos Inclusivos | Museos y Proyectos Inclusivos

  • Pedro Pombo | Director | FÁBRICA Centro Ciência Viva de Aveiro
  • Pedro Russo | Coordenador | Plataforma Ciência Aberta/ Universidade de Leiden
  • Marcos Pérez | Director | Museos Científicos Coruñeses
  • Javier Armentia | Director | Planetario de Pamplona 

III. Gabinetes de Comunicação e Unidades de Cultura Científica | Gabinetes de Comunicación y Unidades de Cultura Científica 

  • Joana Barros | Coordenadora | Associação Viver a Ciência 
  • Júlio Borlido Santos | Coomunication Unit Team Coordinator | i3S Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto
  • Elena Lázaro | Coordinadora Unidad de Cultura Científica Universidad de Córdoba / Coordinadora de Red Divulga-Crue
  • Vanessa Pombo | Comunicación Científica y Redes Sociales | Centro Nacional de Investigaciones Oncológicas, Madrid

Conclusões

I Encontro Ibérico Comunicação e Jornalismo de Ciência_ Versão PT_Conclusões (PDF)

Cada um dos grupos refletiu sobre os seus pontos fortes, debilidades e desafios para o futuro. As conclusões seguintes foram apresentadas ao 7.º Congresso da Rede SciComPT no dia 30 de maio de 2019, na Universidade de Aveiro.

I. Jornalismo de Ciência

Premissa
Se queremos que o jornalismo de ciência seja sustentável temos de fugir da informação redundante, superficial e enviesada, e apostar pela qualidade, os temas próprios, a priorização e a inovação.

Pontos Fortes
Há experiências de qualidade (bom jornalismo, jornalismo inovador, jornalismo narrativo) que podem servir de exemplo;
Não é verdade que os leitores não estejam interessados em ciência de qualidade.

Debilidades
Precariedade generalizada no trabalho, falta de tempo, poucos jornalistas especializados, escasso pagamento a freelancers, pouca valorização do trabalho dos jornalistas especializados por parte das direcções (o que agrava os problemas enumerados anteriormente);
Não conhecemos bem quem são os jornalistas de ciência e não conhecemos bem que é o nosso público.

Desafios
Procurar e conseguir os dados sobre quem são os jornalistas de ciência e quem é o nosso público;
Fomentar a cooperação entre os jornalistas especializados em ciência e de outras secções e a cooperação transfronteiriça;
Constatamos um atraso da comunicação institucional em Portugal, enquanto que em Espanha está mais avançada, embora apresente alguns problemas de excessiva vontade de controlar a mensagem. Pensamos que a experiência espanhola pode ser útil para o crescimento do sector em Portugal.
Portugal tem uma divisão muito clara entre jornalismo e comunicação institucional que poderia ser útil como modelo para Espanha;
Seria interessante estudar os modelos de negócio dos meios inovadores que são sustentáveis economicamente e ver se poderiam ser aplicáveis ao jornalismo de ciência;
É importante mobilizar fundações e organizações filantrópicas para que financiem de forma desinteressada o jornalismo de qualidade, através de bolsas, prémios ou outras formas de mecenato que não interfiram com o trabalho jornalístico.

II. Museus e Projetos Inclusivos

Ciência: Aberta à Sociedade
A Comunicação de Ciência é um motor para o desenvolvimento societal: através de processos inclusivos, colaborativos, envolvendo e capacitando comunidades para resolver os desafios locais, ligando a Ciência e Tecnologia a diferentes actores da sociedade para um desenvolvimento e bem-estar comum.
Em 2050 o público dos Museus e Programas Públicos de  Ciência na Península ibérica é representativo da sociedade ibéricas na sua diversidade cultural, social, económica, género, identidade sexual, deficiências,  etc.
Os Museus e programas desenvolvem os seus conteúdos e actividades de uma forma colaborativa e tendo em consideração inclusão e diversidade.
Inclusão: cultural, diversidade de género e identidade sexual, grupo sócio-económico, geográfica, deficiências/ diversidade funcional, idosos.

Pontos fortes
Museus são espaços de ócio / expectativas não muito altas;
Público tolerante com os conteúdos;
Conteúdos podem ser atualizados rapidamente;
São espaços para cientistas contarem histórias;
Estão muitas vezes aliados a centros de investigação;
São mais flexíveis do que Universidades / Centros quanto a formas de comunicação de ciência;
Estão mais próximos da sociedade e dos meios de comunicação;
Museus de Ciência (mais facilmente do que Museus de Arte) podem ter atividades nas comunidades.

Debilidades
Debilidades económicas e dificuldades de financiamento;
Renovação de conteúdos / programas;
Equipa (difícil renovação / tipo de contrato);
Carreiras profissionais na comunicação de ciência;
Falta de inovação social e de abordagens por parte dos museus.

Desafios
Aberto à comunidade: Como criar conteúdos e programas com comunidades?;
Financiamento (a questão de inclusão pode ajudar a financiar programa);
Potencial do tema da inclusão;
Encontrar e trabalhar com os contactos das comunidades;
Procurar intermediários;
Profissionais em comunicação com as  comunidades em questão (E.g.: Redes sociais e jovens);
Como ser inclusivo com movimentos que podem estar contra com princípios básicos de ética em ciência;
Co-criação com comunidades é importante (se não essencial) no desenvolvimento de projectos e comunidades;
Qual é a prioridade? Como escolher as causas sociais?;
Estudo dos públicos.

 

III. Gabinetes de Comunicação e Unidades de Cultura Científica

Na mesa de debate estiveram estruturas diferentes com modelos/missões diferentes: associação privada de promoção da ciência e da cultura científica; duas unidades de comunicação em institutos de investigação, cujas missões que incluem ou não promoção de cultura científica; um gabinete de cultura científica de uma universidade; uma rede de comunicação de ciência debaixo de um conselho de reitores/reitorias.

A maioria interage com media e social media com os seguintes objectivos:
i) reputação científica;
ii) difusão de conhecimento;
iii) branding;
iv) promoção da cultura científica.

Apesar de objectivos equivalentes, as mensagens são trabalhadas para serem adequadas às ferramentas (ex., tipo de social media; públicos que atingem). Outras ações para públicos específicos estão restritas a ações específicas, incluídas na responsabilidade social das instituições.

 

Pontos fortes
A profissionalização dos agentes envolvidos;
A valorização da comunicação de ciência (apontado em todas as alíneas), refletida na existência destas unidades e profissionais;
Liberdade nas formas de ação de envolvimento, linguagem, de ação;
Capacidade de inovação;
Acesso às fontes de produção de conhecimento científico.

Debilidades
Financiamento específico para a área, limitando o reforço (mesmo que temporário) de equipas e os recursos para a implementação/execução de projetos/ações específicas de qualidade;
Falta de estudos/dados que: permitam consolidar “boas práticas” exportáveis ou adaptáveis; caracterizar públicos nos contextos específicos, incluindo a segmentação de públicos locais/regionais, identificação de minorias ou públicos ainda não incluídos;
A valorização de comunicação de ciência, em resultado da falta de financiamento específico, a falta de reconhecimento da participação de investigadores na valorização da sua carreira; há evolução neste aspecto, demonstrado por documento espanhol referido na alínea seguinte.

Desafios
Impulsionar o da participação de investigadores na valorização da suas carreiras (ver documento “guía de valoración de la actividad de divulgación científica del personal académico e investigador” da Red Divulga);
Trabalhar em rede para partilha de “boas práticas”, ex. abordagens e metodologias adaptáveis e transferíveis para contextos próximos ou equivalentes;
Estudos de públicos e de representatividade, quer em atividades de comunicação de ciência, quer no ecossistema científico;
Em suma, o desafio é a inclusão.

I Encontro Ibérico de Comunicação e Jornalismo de Ciência (29 de maio de 2019)

Óscar Menéndez (director executivo AECC) e Joana Lobo Antunes (presidente Rede SciComPT)

Jornalismo de Ciência: Manuel Vicente, Vera Novais, Michele Catanzaro e Teresa Firmino (via skype)

Museus e Projectos Inclusivos (ao centro): Pedro Pombo, Javier Armentia, Marcos Pérez e Pedro Russo.

 

Gabinetes de Comunicação e Unidades de Cultura Científica: Vanessa Pombo, Júlio Borlido Santos, Elena Lázaro e Joana Barros.

Mesa-redonda no 7.º Congresso SciComPT 2019: Javier Armentia, Joana Lobo Antunes, Vera Novais e Júlio Borlido Santos.

Apresentação das conclusões ao 7.º Congresso da Rede SciComPT 2019 (Universidade de Aveiro)