A inteligência artificial (IA) está a reorganizar a forma como investigamos, validamos e interpretamos conhecimento. Antes de perguntarmos o que muda, vale também a pena perguntar o que não deve mudar.
Partindo do processo de construção do Livro Branco para a IA no Jornalismo em Portugal, desenvolvido a partir de questionários, entrevistas, workshops, auscultações e grupos de foco realizados em redações por todo o país, esta conversa usa o jornalismo como metáfora para pensar a ciência; porque foi no património das pessoas que se encontraram respostas sobre o passado, o presente e as orientações para construir o futuro, onde a IA permanece alinhada com o florescimento humano.
Um outro ponto muito debatido em cada uma destas conversas, um pouco por todo o país, foi o papel do jornalista e o valor acrescentado que ele traz comparativamente a uma IA que, com cada vez maior potência, executa, processa, sintetiza e encontra padrões. E ao investigador? Qual é o seu valor acrescentado? Se o esvaziarmos da competência técnica que se delega nestes modelos, o que mais lhe sobra? Será o ter mundo? E como se constrói esse mundo?
Numa conversa orientada, exploraremos três movimentos: onde estamos, o que está a mudar, e o que escolhemos preservar; não como exercício nostálgico, mas como ponto de partida para pensar o futuro da prática científica. Évora, cidade que há já muito decidiu o que guardar, é o lugar que dá casa a esta reflexão conjunta.
Bio: José Manuel Sotero é candidato a doutoramento em Media Digitais — especialização em Indústrias, Públicos e Mercados — e professor convidado na NOVA FCSH e no IADE (Universidade Europeia). Integra o iNOVA Media Lab e o OBI.Media, onde desenvolve investigação sobre inteligência artificial (IA), efeitos dos media, acessibilidade e domesticação de tecnologias emergentes. Colabora ainda como consultor externo do Conselho da Europa em matérias de IA, cidadania democrática, governança e questões de género.
O seu trabalho de investigação prolonga-se em projetos de impacto direto na esfera pública: foi cocoordenador do Livro Branco para a Inteligência Artificial no Jornalismo, em Portugal, financiado pelo EMIF – European Media and Information Fund, e é cocoordenador/cofundador do Observatório Social para a Inteligência Artificial e Dados Digitais. É ainda corresponsável pelos cursos "Inteligência Artificial para a Educação" e do MOOC "Inteligência Artificial Generativa para Professores", promovidos em parceria com a Direção-Geral da Educação.
A par da investigação, lidera no Grupo HAVAS Portugal uma unidade de negócio dedicada ao desenvolvimento de competências para a integração de IA e à inovação metodológica, combinando o rigor académico com a aplicação prática para potenciar novas formas de criatividade, eficiência e tomada de decisão nas organizações.